Por José Pacheco

Pode-se conceituar o advogado data driven como aquele que utiliza os dados de informações disponíveis para tomar decisões e propor soluções adequadas aos negócios. Nesse sentido, esse profissional deve observar as melhores práticas de inovações tecnológicas ocorridas na área jurídica.

As ferramentas tecnológicas modificaram os serviços prestados pelas empresas, e o mesmo ocorreu com os serviços jurídicos. Desse modo, o cliente busca resolver os seus problemas em um clique, com a rapidez que é própria do mundo atual.

Neste post, vamos abordar qual é o perfil necessário para o advogado data driven no contexto de transformação tecnológica e qual é a sua importância na gestão jurídica dos escritórios e departamentos. Você tem interesse nesse assunto? Então, continue a leitura!

O perfil do advogado 4.0

O chamado advogado 4.0 ou advogado do futuro pode ser conceituado de modo mais criterioso e objetivo como advogado data driven, pois esse profissional se mostra mais adaptado às demandas atuais e futuras, por meio das características requisitadas pelo mercado.

Apesar de o sistema legal não ter uma natureza de soluções instantâneas, certamente o advogado será cobrado pelos clientes para a solução mais eficiente possível. Logo, o advogado data driven deve utilizar as ferramentas tecnológicas para apresentar o seu serviço com agilidade.

Nessa realidade tecnológica, há o fenômeno do Big Data: grande volume de dados armazenados pelas empresas. Tais dados tornaram-se importantes, pois são decisivos para conhecer melhor os clientes e elaborar estratégias eficientes de conquista de clientela.

Nesse sentido, é fundamental a imersão do advogado data driven no meio digital, utilizando-se, por exemplo, de software jurídico para auxílio na gestão do escritório. Contudo, tal ferramenta deve ser utilizada para atividades corriqueiras que possam ser automatizadas.

Isso permite mais tempo, liberdade e flexibilidade para que o advogado se concentre nas questões propriamente jurídicas e na definição de estratégias amplas para as empresas. Tais atividades têm um retorno de maior valor do que as atividades essencialmente burocráticas.

Outra característica importante é a flexibilidade do advogado data driven, pois ele deve buscar outros conhecimentos e não apenas o jurídico. Logo, deve conhecer o negócio do cliente e se colocar como parceiro na busca de soluções.

É importante que o profissional tenha conhecimento acerca do negócio do cliente, de um modo completo. Não cabe mais uma visão restrita ao segmento jurídico. Para compreender as dores e angústias da clientela, é adequada uma visão analítica.

Portanto, além da velocidade, conectividade e flexibilidade mencionadas, o advogado deve desenvolver a capacidade analítica para observar o negócio do cliente de modo completo e inserido no contexto social. De igual modo, é importante também realizar a análise do impacto extra-jurídico que ações judiciais podem causar.

Tenha as mesmas condições

Quanto à análise dos dados, uma área muito importante que o advogado data driven deve observar é a Jurimetria. Trata-se da ciência estatística aplicada ao Direito. Por meio do estudo de dados a respeito de decisões judiciais, a Jurimetria elabora análises preditivas quanto ao comportamento dos tribunais.

Observa-se que não basta apenas ter os dados, é fundamental também saber interpretá-los. Desse modo, a Jurimetria permite fazer análises preditivas para conhecer melhor os caminhos possíveis, os custos e a probabilidade de vitória ou derrota. Logo, é uma área do conhecimento da qual o advogado não pode deixar de dar a devida atenção.

Data driven em escritórios e departamentos jurídicos

O data driven é o conjunto de dados que serve como matéria-prima para que as empresas desenvolvam as suas estratégias de negócios, fundamentando-se em dados de informações reais, comparadas e analisadas — e não em intuições ou achismos.

Na área jurídica, esses dados se relacionam aos processos, ao seu custo e aos resultados, à análise de correntes doutrinárias e jurisprudenciais. Assim como há os dados relativos à distribuição de talentos nos departamentos jurídicos e identificação de eventuais deficiências.

Para aplicação da cultura do advogado data driven, é necessária uma mudança nos modelos de gestão e rotina do escritório ou departamento jurídico, o que inclui a formação de uma equipe multidisciplinar. Ou seja: os escritórios devem ter outros talentos, além dos profissionais jurídicos, dentre os quais destacam-se estatísticos e gestores.

Nesse sentido, o uso da inteligência artificial não pode ser ignorado. Tal ferramenta auxilia o departamento jurídico na gestão dos dados coletados, realizando análises sobre tendências de julgamento a partir das correntes doutrinárias que se mostram majoritárias em um determinado tribunal.

Os tribunais, por meio dos seus sites, disponibilizam gratuitamente valioso volume de dados sobre os seus julgados, que servem para aplicação da Jurimetria. Nesse contexto, destacam-se os informativos de jurisprudência dos tribunais superiores.

Outra forma de atender à agilidade esperada pelo mercado é a utilização dos meios alternativos de resolução de conflitos, como a conciliação, mediação e arbitragem. Nesse sentido, também se destacam a conciliação extrajudicial e a utilização dos meios digitais para dar mais celeridade a tais meios alternativos.

Dicas para implementar a cultura data driven

De início, o advogado data driven deve conhecer as informações de que dispõe, saber quais são os dados sobre os seus processos, bem como os dados públicos nos tribunais dos processos de sua área de atuação.

Após esse conhecimento, é necessário estruturar os dados: saber quais valem a pena, organizá-los e determinar o foco. Portanto, com tal conjunto de dados estruturados, o advogado data driven deve seguir para a fase de aplicação, que é incluir a cultura data driven em toda a organização do escritório ou departamento jurídico.

Na fase da aplicação, as pessoas são colocadas no processo. Dentro desse contexto, é preciso observar os dados constantemente, sempre em busca do aperfeiçoamento de sua análise. Logo, é imprescindível construir uma eficiente área de compliance, para verificar a adequação da cultura do advogado data driven às pessoas componentes do escritório ou da empresa.

Portanto, para que a cultura data driven seja efetivada dentro da organização, é imprescindível a realização de treinamento e constante atualização dos advogados e áreas anexas ao departamento jurídico.

Este artigo abordou os aspectos gerais do advogado data driven e dicas de como implementar essa cultura em uma organização. Gostou da leitura? Então compartilhe este post em suas redes sociais!

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